
As regras da administração hoteleira no Kosovo (mais nas cidades periféricas do que em Prishtina) causam estranheza a qualquer turista. Pede-se um café, 50 cents; uma meia de leite, também 50 cents; um capuccino cheio de canela e chocolate, uma vez mais, 50 cents. Afinal, sejam quais forem os ingredientes ou o tamanho da chávena, o preço não varia. Já noutras paragens, vai-se à Portugália, o preço do bife depende do tamanho e da qualidade. Se acompanha com batata frita lá vão mais 2 Euros; esparregado? Mais dois. Ovo estrelado? É só somar.
No Kosovo não se paga meticulosamente o produto consumido. No Kosovo paga-se o momento, o serviço, a bebida, não importa se tem mais ou menos leite, canela ou chocolate. O estabelecimento não é visto como um frio lugar onde se vai consumir um conjunto matemático de ingredientes - qual máquina automática – consoante o número de moedas disponíveis, mas antes um lugar onde se vai beber o que se tem vontade naquele preciso momento.
Com isto consegue-se uma relação muito mais pessoal entre o estabelecimento e o cliente (em que este escolhe o lugar que mais lhe agrada e não simplesmente o mais vantajoso, numa mercantil relação necessidade/custo).
Economicamente, o eventual prejuízo que se tem ao servir-se um capuccino será certamente compensado pelo lucro dos cafés simples que também se servem. A contabilidade faz-se no fim de cada mês, e não em cada café servido. Na perspectiva do cliente, a formulação da ideia do que se vai pedir não é previamente tolhida consoante o recheio da sua carteira. O mesmo se diga – como já se referiu num post anterior – em relação aos cestos de pão, os quais, sejam servidos um, dois ou três durante a refeição, o preço é o mesmo: zero Euros. Como ainda é em Portugal com o azeite, o vinagre, o açúcar ou o sal (espero que não passem a cobrar o azeite ao mililitro usado, ou o açúcar ao número de pacotes!).
Resultado: como em tudo, é o prazer do momento que faz o cliente voltar ou não. Se gostar volta, e volta regularmente. E assim se fideliza o cliente, se dribla a crise e se evita a falência do estabelecimento.
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