
Em tempos idos, o poder político bateu tanto na imprensa, usando para isso também o poder judicial (para além do lápis azul e outros métodos) que, quando finalmente o grito do Ipiranga se fez ouvir e a liberdade de expressão se estabeleceu, os velhos rancores e desconfianças da imprensa quanto ao poder judicial transformaram-no num apetecido alvo a abater. E assim foi durante décadas, enquanto o poder político assobiava para o lado e se recompunha de mansinho, fabricando novos escudos e novas armas.
Quando martelar no poder judicial já estava muito visto, e depois de ele já estar “de rastos”, virou-se a imprensa novamente para o poder político, pensando então que agora, sem o poder judicial, nunca poderia haver resposta à altura. Errado! As novas armas do poder político passavam agora pelos patrões da imprensa e contra estes era difícil lutar. Começaram então a levar na cabeça numa retaliação que nunca imaginaram.
Eis senão quando a imprensa começou a pensar no poder judicial como aliado na sua luta: o poder judicial que antes era a imagem do antigo regime, que depois passou a ser uma máquina inútil e ineficaz, agora tem que ser valorizada nos seus poderes institucionais e constitucionais. E porquê agora esta nobre empreitada? Porque alguém de repente sentiu no pêlo da sua efectiva necessidade.
Inoculado o vírus, estamos agora prontos para apreciar o último evento do Pátio das Letras em Faro, noticiado no inevitável blog do amigo Langweg.
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