quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tabajarice Kosovar

Foto: Gjilan, Kosovo 
United Colors of Giorgio Armani (!!!!)


Antes de mais esclareçamos o termo “tabajarice”.

O termo refere-se a todo o produto de qualidade não duvidosa (sem a mínima dúvida que qualidade, não tem nenhuma), porém, anunciado e garantido por fabricante que se tem em altíssima conta, embora não se trate neste caso, necessariamente, das conhecidíssimas “Organizações Tabajara”, origem de onde agora se importa a adjectivação.

Todas as cidades, pequenas e mais pequenas, de todo o Kosovo são pródigas em lojas de tabajarice. Uma tabajarice certificada pelas marcas que ostentam e que, pelo facto, nem necessitam sequer de maior publicidade oral, sendo esta tão habitual em todos os países dos Balcãs.

Assim, Moscchino, Dolce & Gabanna, Hugo Boss, Armani, Louis Vouitton, assim como todas as outras conhecidíssimas marcas de vestuário e acessórios, formal ou desportivo, acompanharam solidariamente os países de origem no reconhecimento deste novo país, abrindo por aqui e por todo lado, inúmeras lojas e filiais. Porém, a crise global obrigou a novas tácticas de implantação comercial. Nada de lojas exclusivas! Há excepções, pois claro! (vide foto). Mas em geral, uma mesma loja “representa” todas as marcas. Em todas as lojas se vendem todas as marcas. Com uma particularidade. Vendem-se, para além das expostas, ainda mais as que o cliente expressamente deseje. Se não tem, arranja-se! Ou seja, fabrica-se! É só voltar no dia seguinte. O chamado “fabrico over-night”.

A esposa de um colega meu búlgaro dirigiu-se a uma dessas lojas com inúmeras malas de senhora expostas, de variadíssimas marcas e perguntou ao vendedor: “ São legítimas ou são falsificadas?”, ao que aquele respondeu, solícito e peremptório: “Mas é claro que são falsificadas, Senhora! Mas são falsificadas de qualidade, made in Turquia, não são como aquelas que por aí andam made in China!”.

Garantia?

Como diria um feirante argentino conhecidíssimo da feira do Paraguay, em Brasília, “La garantia soy jo!”. Se tiver defeito, o estabelecimento troca. Porque o estabelecimento tem um nome a defender.

Honestidade desta não se vê em países mais civilizados! Experimenta reclamar de um defeito de fabrico numa renomada loja mais à-beira-mar-plantada. Para além da cara de tacho da funcionária, há que preencher este e aquele papel, e estoutro ainda, para aguardar então por não menos de 30 dias pela resposta formal que é, normalmente, a que atribui a negligência ao cliente, sempre com os mais respeitosos cumprimentos. Depois, claro restam 2 possiblidades: ou o livro amarelo, ou o Totta! Isto porque esperando pela justiça dos tribunais e pela benevolência dos honorários dos advogados, melhor será comprares uma cadeirinha, ou talvez um outro artigo legítimo, igual ao defeituoso. Ou então ainda... welcome to Kosovo!

Sem comentários:

Enviar um comentário