terça-feira, 19 de maio de 2009

Crise do "Ai Jesus"!

Foto: Versão portátil de loja artesanal. Plovdiv, Bulgaria.


Num país em que as lojas do dito mercado tradicional pipocam e florescem a olhos vistos, não se prescinde porém da qualidade dos produtos. Abrir um restaurante, por exemplo, é fácil e não exige grande investimento. Porém, há metas a serem obrigatoriamente atingidas no prazo de um ano para que o selo aposto na porta passe de amarelo (em abertura), para dourado (com qualidade intermédia segundo padrões previamente definidos e controlados in loco) e mais um ano para ter que passar a verde (de qualidade superior). É assim obrigação do dono implementar a qualidade do estabelecimento para o que conta com o prazo razoável de 2 anos e, naturalmente, com os lucros do que for produzindo durante esse prazo.

Os estabelecimentos têm assim diversas – e públicamente visíveis – categorias, permitindo ao consumidor não vir ali a obter gato por lebre. É o que é suposto acontecer com as estrelas dos hotéis em todo mundo ocidental, embora o acréscimo de qualidade seja neste caso obrigatório, porque se não o conseguir, o empresário fecha a porta – ou fecham-lha.

Também naturalmente, as taxas municipais devidas por cada categoria, são-lhes proporcionais.


Noutro país, não há cá categorias. Tem que ser tudo de categoria superior – Europeia – e à cabeça. Antes mesmo de se abrir a porta ao público tudo tem que estar conforme. Se tens dinheiro para manter esse padrão, muito bem. Caso contrário, se queres investir, é melhor emigrares – ou então pedir um avultado empréstimo ao banco, o qual pagarás ao longo de anos sem fio, e sempre rezando para que alguma crise económica não to vá impedindo.

O resultado é bem conhecido: ao fim de 6 meses, os lucros não dão para as rendas e muito menos para os salários. Fecha-se a porta e aceita-se a proposta do chinês para mais uma loja dos 300. O comércio tradicional passa a honrar o nome (tradição, no seu duplo sentido) e as grandes superfícies comerciais prosperam e reproduzem-se (reproduzem-se porque qualquer uma é uma autêntica réplica da outra - as lojas são sempre as mesmas e vendem sempre o mesmo em qualquer latitude ou longitude).

E não te esqueças do pacote de leite, porque a loja dos 300 não tem, e o supermercado do shopping ainda fica longe.

Assim se dinamiza a economia.

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