Foto: Plantel do Benfica temporada 2009: chávena, copo, chávena, copo, chávena e os cálices na rectaguarda.Este post é especialmente dedicado à minha empregada doméstica.
Trabalhadeira incansável mantém o apartamento "num brinco"! Consegue encaixar toda a merceeria, qual puzzle, num ínfimo espaço do armário (é rezar para que não me apeteça comer as bolachas que estão no fundo), ordena as garrafas por tamanho e as embalagens por ordem alfabética. Cada dia há que acordar 15 minutos antes para descongelar a Nutela ou a manteiga que se encontram invariavelmente arrumadas dentro do frigorífico.
Cada dia é organizado à antiga moda jugoslava: lava as cuecas às quintas e as camisolas interiores às terças, e assim por diante (ou seja, se não houvesse stock suplementar, as quartas feiras seriam um pesadelo; felizmente que no dia seguinte é dia de Santa Cueca Lavada).
Arrumar a casa à moda albanesa significa não deixar nada visível. Tudo tem o seu lugar, e não é ao homem quem cabe determiná-lo. Normalmente no sítio menos prático possível. Os comandos da TV e afins, dentro de uma gaveta longe do sofá (se e quando eu preciso, que os busque); a máscara de tapar a luz dos olhos às 5 da manhã não está na mesa de cabeceira mas, claro, no armário a 5 metros (o que significa ter que me levantar de manhã, com a dita luz nos olhos, ou lembrar-me dela à noite, antes de cair na cama). O pacote de café que comprei na Bulgária, com uma embalagem muito brilhante e de marca Davidoff, sumiu da mesa da cozinha e apareceu arrumadíssimo, encaixado junto dos perfumes na casa de banho.
E quando finalmente começo a habituar-me aos estranhos lugares das coisas ela pensa melhor e, afinal, aquilo fica melhor arrumado noutro lugar.
Os livros são arrumados, não como uma biblioteca, mas como numa exposição de CDs numa loja: com a capa virada para nós, talvez para serem mais facilmente reconhecíveis, ou para servirem de objecto decorativo a par dos quadros.
A juntar a tudo isto, a comunicação com ela seria possível se eu falasse albanês.
Enfim, 48 horas mensais por 65 Euros, é porém, uma vantagem de relevo, a par das boas intenções e da imprescindível seriedade.
Só falta a Super Bock para completar o armário
ResponderEliminarA Super-bock até seria possível. Num país de maioria muçulmana que professa uma doutrina nem sunita nem xiita mas sim do tipo balcânico, bebida alcoólica é considerada toda a bebida com mais de 45% de álcool. E mesmo essa pode ser usada para fins medicinais (por exemplo curar uma constipação, um frio de rachar ou mesmo uma simples secura estranha na garganta. Fora do período do Ramadão, claro! A cerveja está assim fora do rol.
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