Num secretismo sem par, e a poucas horas do início do jogo decisivo com a Albânia em Tirana, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu fechar contrato com um novo orientador nacional, assim se operando uma fulminante substituição sem precedentes no comando técnico da selecção. Sabemos agora também que não ocorreu a demissão do anterior técnico, o qual continuará ao serviço como adjunto, função aliás no desempenho da qual já se havia sagrado campeão europeu de clubes.
Contactado o presidente, este avançou aos jornalistas: “Estava na altura de colocar alguém de muito valor no comando da selecção. A equipa não estava a render o que todos nós desejávamos, os jogadores faziam o que queriam e não rendiam dentro de campo. A nossa intenção era mesmo a de demitir o anterior técnico, mas num gesto que compreendemos, o nosso novo técnico resolveu mantê-lo enquanto adjunto”. Soube-se igualmente que o novo técnico não irá actuar na selecção a tempo inteiro, acumulando ambos os cargos a que actualmente se encontra vinculado. Confrontado o presidente com o facto, este desvalorizou a situação, avançando mesmo que “Guus Hyddink também treinou o Chelsea enquanto seleccionador russo e já foi até campeão pela Grécia. Está provado que hoje em dia a exclusividade é contraproducente”.
Espalhada a notícia, num ápice as reacções não se fizeram esperar. O anterior treinador mostrou algum desespero, os jogadores conferenciaram desorientados e seguiu-se uma intensa conferência de imprensa em que os jornalistas confrontaram o novo orientador nacional com inúmeras perguntas. O novo seleccionador mostrou firmeza e insistiu dizendo que não tinha dúvidas que "o jogo iria ser difícil mas que o resultado seria a vitória". Disse também que “tenho uma jogada estratégica e decisiva, preparada já para depois da hora e que irá arrasar com os bunkers albaneses junto da baliza”. Interpelado a especificar que jogada era essa, apenas respondeu enigmático: “É uma jogada aérea vinda da direita mas, como compreenderão, não posso revelar a identidade dos intervenientes. Mas garanto a vitória!”, disse algo enfastiado.

Os jornalistas não deixaram de bombardear o novo seleccionador com temas delicados. A qualificação para o próximo mundial foi recorrente. O novo orientador avançou: "Se não formos à África do Sul, vamos à África do Norte. Se for uma questão de clima, a Madeira serve muito bem. Podemos organizar lá o nosso mundial, o Ronaldo joga em casa e a Ronalda encarrega-se de vender as camisolas da selecção, que passam a ser as do "Marâtmo", pois são verdes e vermelhas como a nossa bandeira!"
O novo ideólogo nacional ainda disse: "Temos que ser magnânimos. O antigo seleccionador é mais que UM PAI para os jogadores. Por um lado, conhece os jogadores desde putos, mas recusa-se a vê-los crescer; por outro lado, se os jogadores não acreditam no pai Natal, ele acredita por eles. Será assim de extrema utilidade para a nossa equipa. Decidi mantê-lo comigo e sei que dará resultado".
E finalizou, colocando os jornalistas em sentido e visivelmente incomodado, afirmou: "E o burro sou eu!....".
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