
Era uma vez um lugarejo de nome Sucupira, cujo “prefeito” era Odorico Paraguaçu. Um dia alguém estabeleceu num edifício da sua cidadezinha uma coisa estranha chamada Tribunal, que começou a emanar umas coisas ainda mais estranhas chamadas sentenças e que, alguém lhe disse, que eram para ser cumpridas. Um dia uma dessas sentenças quis tirar-lhe o seu mui amado cemitério e o caldo entornou. Reuniu amigos, empregados, coveiros e fez umas manifestações e abaixo-assinados e enviou para o tal de Tribunal. O cemitério é que ninguém neste mundo nem no próximo lho iria tirar. Foi notificado das decisões executivas e entreteu-se a mandar cartas para o Tribunal e para o presidente, vice-presidente, polícia, etc., a reclamar contra a injustiça da tal sentença que afinal tinha sido proferida contra todas as leis dos países civilizados e por um tal de Tribunal, que não conhecia e que nunca antes lhe fora apresentado. No dia da execução lá estava ele, com os seus companheiros, enfiado entre os muros a exigir ver a ordem escrita que decretava o despejo. A exigi-lo directamente do juíz de execução, que por acaso estava presente. Daqui não saio, daqui ninguém me tira! Mas em menos de uma hora lá estavam, ele e os seus companheiros de luta, enfiados num apartamento do Polícia Hotel Resort and SPA, com as mãos bem juntinhas com a ajuda de umas argolas de metal. Os populares dispersaram a assobiar para o lado e com as mãos nos bolsos, os jornais locais deram o costumeiro alarido e a caravana passou.
Não perca, cenas dos próximos capítulos da novela: Odorico sai do hotel e é visto a conferenciar com uns indivíduos sertanejos mal encarados a quem chamam de jagunços… mas o império da lei continua atento, desbravando o seu inexorável, mas árduo caminho…
Sem comentários:
Enviar um comentário