quarta-feira, 15 de julho de 2009

Novela O Bem Amado

Era uma vez um lugarejo de nome Sucupira, cujo “prefeito” era Odorico Paraguaçu. Um dia alguém estabeleceu num edifício da sua cidadezinha uma coisa estranha chamada Tribunal, que começou a emanar umas coisas ainda mais estranhas chamadas sentenças e que, alguém lhe disse, que eram para ser cumpridas. Um dia uma dessas sentenças quis tirar-lhe o seu mui amado cemitério e o caldo entornou. Reuniu amigos, empregados, coveiros e fez umas manifestações e abaixo-assinados e enviou para o tal de Tribunal. O cemitério é que ninguém neste mundo nem no próximo lho iria tirar. Foi notificado das decisões executivas e entreteu-se a mandar cartas para o Tribunal e para o presidente, vice-presidente, polícia, etc., a reclamar contra a injustiça da tal sentença que afinal tinha sido proferida contra todas as leis dos países civilizados e por um tal de Tribunal, que não conhecia e que nunca antes lhe fora apresentado. No dia da execução lá estava ele, com os seus companheiros, enfiado entre os muros a exigir ver a ordem escrita que decretava o despejo. A exigi-lo directamente do juíz de execução, que por acaso estava presente. Daqui não saio, daqui ninguém me tira! Mas em menos de uma hora lá estavam, ele e os seus companheiros de luta, enfiados num apartamento do Polícia Hotel Resort and SPA, com as mãos bem juntinhas com a ajuda de umas argolas de metal. Os populares dispersaram a assobiar para o lado e com as mãos nos bolsos, os jornais locais deram o costumeiro alarido e a caravana passou.

Não perca, cenas dos próximos capítulos da novela: Odorico sai do hotel e é visto a conferenciar com uns indivíduos sertanejos mal encarados a quem chamam de jagunços… mas o império da lei continua atento, desbravando o seu inexorável, mas árduo caminho…

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