
A cultura judaica e a islâmica têm várias tradições em comum. Uma delas consiste em convencer um puto de 6 ou 7 anos de que ele tem uma coisinha a mais num sítio delicado e que precisa ser removida através de uma operação cirúrgica. Não, não é anormal nem nunca doeu, mas não importa: deve ser removida por motivos religiosos e também por motivos higiénicos. Mais tarde ele entenderá a vantagem quando precisar de menos sabonete, ou quando facilitar na hora de fazer outras coisas que a idade, por enquanto, ainda não permite explicar em pormenor.
A diferença é insignificante: vai ao médico de chapeuzinho, e quando vier já vem sem chapeuzinho e um bocadinho roxo. Depois passa a vermelho e depois fica normal. E depois faz-se uma festa com a família toda para celebrar, e fica tudo feliz e contente.
Essa é a festa denominada Syneti, normalmente uma semana após a cirurgia. Dura cerca de 4 horas e em tudo se assemelha a um casamento. Dá direito a envelopes recheados e outras lembranças, reúne a família alargada (que chega a 200 elementos), tem música tradicional, dança, cantoria amadora, comes-e-bebes e centra-se no novo herói que traja o uniforme que se vê na fotografia.
Depois da festa acabar, o puto rodeado de presentes e de chocolates, e depois de tanto mimo vai pensar: “Valeu a pena o negócio! Tudo isto por causa de um chapeuzinho!? Quanto será que valerá o resto?"
Sem comentários:
Enviar um comentário