
O que particularmente impressiona no Dubai é, acima de tudo, a falta de crise. É a terra dos patos bravos, dos grandes negócios, do luxo, das invenções arquitectónicas, dos gadgets, da extravagância, do neo-exótico. Não existe uma cidade velha em condições? Constrói-se uma de raiz: enorme, completa e totalmente igual a uma qualquer Samarcanda de há 5 séculos... mas novinha em folha! Os hotéis não são suficientemente perto da praia? Traz-se a praia até aos hotéis, se necessário construindo-se ilhas artificiais. O clima é desértico? Nada que não se resolva com água e com relva - com extensões verdes e inúmeros campos de golf, a ponto de fazer inveja a uma qualquer Irlanda.

Paragem de autocarro: cada sexo tem a sua, com ar condicionado e portas automáticas.Vidros fumados mas com a transparência suficiente para se evitarem inadequadas modernices.
É assim que se gasta o dinheiro do Petróleo? Não. Do actual orçamento, apenas menos de 10% resulta das receitas petrolíferas. Tudo o resto provém do turismo e dos negócios mundiais ali actualmente realizados devido às luxuosas e rentáveis condições oferecidas às grandes multinacionais que ali se estabelecem, dia após dia, a um ritmo inimaginável.
A ideia é transformar o Dubai no maior centro comercial do mundo. Ressalvando as devidas proporções, será como transferir-se o volume de negócios de todos os mercados do Cais do Sodré de uma cidade para um sítio esconso, por detrás do sol posto, mas com condições comerciais inigualáveis. Não me refiro necessariamente a um Dolce Vita Tejo: na verdade o fenómeno tende a verificar-se em todas as cidades lusas (excepto Tavira, claro!).

Homenagem local ao famoso "American white smile".
Por isso se pode afirmar que não se trata de esbanjar o dinheiro do petróleo, mas de investí-lo. Os referidos 10% provam-no.
O universo jurídico também é facilmente assimilável. A lei geral aplicável - civil e penal - é a egípcia no seu todo, excepto no direito da família em que simplesmente se aplica o Corão. Quanto às leis fiscal e comercial, apresentam especificidades de relevo, todas no sentido de se atrair os negócios estrangeiros e ao mesmo tempo, garantindo a boa vida dos nacionais sem terem que trabalhar. Para este particular efeito, importa-se mão de obra filipina, paquistanesa, thailandesa e indiana, a quem, em circunstância alguma é conferida a nacionalidade. Actualmente o universo de cidadãos do Dubai ronda os 20%.
Parabéns por mais uma crónica de viagem muito interessante!...
ResponderEliminar... e agradeço à referência elogiosa à minha cidade de eleição (Tavira).
Um abraço, com votos de continuação de boa estadia.