
“Hipócritas!” - clamarão os ocidentais. “Não se pode comer em público mas já permitem que os alarves se alabazem nos restaurantes, desde que nada se veja cá fora”. A explicação é bem mais simples e coerente do que parece. A lei existe para que um qualquer consciencioso muçulmano não tenha que ser confrontado permanentemente com turistas a devorarem hambúrgueres e a sorverem coca-colas a cada esquina. O Ramadão implica sacrifício, e sacrifício implica respeito. Assim, quem quiser comer, coma... mas respeite quem cumpre esta tradição e não lhe dificulte o esforço, já de si difícil. Simplesmente não comendo... em público. É portanto tudo uma questão de respeito, valor que nos Emirados (neste aspecto, diga-se) muito prezam. E o que se preza, protege-se, maxime com leis para-penais. Mastigar na frente de um muçulmano esfomeado é tão ofensivo – e tão desrespeitador - como, no ocidente, alguém se referir impropriamente à mãezinha de um católico apostólico romano. É apenas um diverso tipo de injúria. E a injúria no ocidente, é crime. Já agora: tal referência desrespeita a mãe, desrespeita o filho, desrespeita o pai, ou desrespeita todos enquanto família? E tem o filho legitimidade legal para agir judicialmente? Com tantas dificuldades jurídicas é por essas e por outras que normalmente estes casos, no ocidente, se costumam resolver “ao banano”! Porque faltando o valor do respeito numa sociedade (seja ela qual for), conclui-se facilmente que todos são livres de fazerem o que bem entendem, e quem não gostar que se mude. E é para se evitar esta lógica tão libertina que nos Emirados se protege o respeito através da lei, o que no ocidente, afinal, se protege “à bananada”.
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