sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Paciência é boa e recomenda-se

Após 4 horas não intervaladas de um intenso julgamento de um crime de colarinho esbranquiçado, é finalmente dada a palavra ao último dos 4 defensores constituídos para que interpele a testemunha com questões factuais que considere pertinentes e que queira ver esclarecidas. O ilustre defensor ergue-se, limpa os óculos, relê os seus apontamentos e dirige-se pausadamente em língua albanesa ao painel (colectivo de juízes), assim como aos restantes presentes, da seguinte forma: “Prezado painel de sapientes juízes, ilustres colegas, caros arguidos, e todos os demais presentes. É com muito orgulho que tenho a honra de participar no presente julgamento em que intervêm 2 juízes internacionais, num delicado caso com manifestas repercussões inter-étnicas. Pretendo comunicar ao senhor juiz-presidente que, por ora, não tenho perguntas a fazer. Muito obrigado pela atenção.

Após mais de 10 minutos para a necessária tradução integral, o painel bufava de vermelhidão mas preferiu nada observar ou criticar naquele momento. Por mais polida que fosse a admonição, sempre esta seria interpretada como má-vontade, prepotência e falta de educação contra um hábito de cortês relacionamento institucional há muito praticado nos tribunais kosovares. Claro está que, em Roma o Tribunal seria romano, mas no Kosovo há que ser kosovar, uma vez que tal não contraria frontalmente a implantação do Estado de direito que se pretende.

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