terça-feira, 13 de outubro de 2009

Acordo ortographico

Pelo que observei em Portugal não é coisa que preocupe muito os meus concidadãos. O acordo ortográfico não é para ser cumprido mas... para ser observado: ou seja, para se ir cumprindo... grão a grão e sem “estresses”. Tal e qual neste blog.

A evolução linguística é incontornável e salutar. Por alguma razão o latim é língua morta mesmo nas paragens onde nasceu e onde foi eruditamente praticado. Mas evolução ou modificação não significam necessariamente deturpação ou degeneração. Tudo depende do critério: se o acordo assentar na facilitação dentro da lógica, temos evolução; se, pelo contrário, assentar na negociação, no facilitismo e na completa falta de lógica, então temos degradação. Neste caso o resultado vai ser uma tal salganhada (qual tétum timorense) que nunca um filho de emigrante ou qualquer estrangeiro a virão a entender ou querer entender.

Facilitismo porquê? Porque o acordo consiste – basicamente - em cortar letras inúteis, chegando-se assim a um consensual meio termo entre Portugal, Brasil e palops (ainda que não agradando a todos, desde que não desagrade completamente ninguém).

Falta de lógica porquê? Precisamente porque grande parte das letras cortadas só são inúteis para sotaques que não distinguem entre vogais abertas e fechadas, o que, manifestamente, não é o caso em Portugal.

As línguas eslavas têm a particularidade de se lerem precisamente como se escrevem – porque a lógica impõe que a cada caracter corresponda um som, segundo determinada regra gramatical uniforme. Essa lógica torna-as facilmente apreensíveis, embora literariamente frias. Já no português do novo acordo, cada palavra escreve-se sempre da mesma maneira mas... lê-se diferentemente, consoante o costume, a região, a latitude e a longitude. Oh meuzzz amigozezeze... qualquer dia, a comunidade portuguesa só se entende... por escrito! (o que é uma vantagem numa era de e-mails, chats e SMSs).

Por isso e muito mais é que este blog vai continuar a observar (ao largo) o dito acordo. E sem livro amarelo. Porreiro, pá!

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