Nos emirados, durante o mês do Ramadão, quem comer, beber, mascar pastilha em público, no mínimo é multado. Assim, para o pacato turista, procurar almoço que console uma barriga que ronca furiosamente é tão difícil e perigoso como, em plena Lisboa, procurar estupefaciente que console a veia. Os restaurantes estão fechados, a única comida está exposta nos supermercados e os comensais (ou sedentos) dirigem-se discretamente durante o dia com a comida e a bebida para um secreto compartimento da casa de banho pública. Só aí se livram da multa. E bem poderão alegar que “era só para consumo próprio” que da multa e de uma carga de burocracias não se livram.

Se o Ramadão se destina a purificar o corpo das toxinas alimentares e espirituais, eu confesso que me senti um toxicodependente em férias: com um saco cheio de produto (alimentar) à procura da esquina mais esconsa para consumir sem ser apanhado.
E assim foi que involuntariamente emagreci uns Quilinhos em tão poucos dias. Mas, eis senão quando... ( segue parte II)
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