Lembro-me de ser criança e de brincar aos "cow-boys", usava pistolas de plástico e dava e levava mais tiros numa tarde do que os vilões de 10 filmes do Stallone juntos. Cresci e continuei a manejar armas várias, em carreiras de tiro também várias. Nunca fui à caça e nunca disparei contra ninguém. Não me concebo a matar um cão que seja, ou uma galinha sequer. Admito que no caso de uma mosca ou um mosquito a realidade já será diferente, mas nunca pensaria, porém, em usar qualquer arma de fogo para o efeito.
Tudo isto para dizer que o problema das armas está menos nestas do que nas mãos que as empunham e nos cérebros respectivos que as comandam.
Não adianta proibir brinquedos em forma de arma se os filmes e os jogos da Playstation os recriam na perfeição. Não adianta proibir todos estes sucedâneos de armas, se recorrentemente nos olvidarmos da outra face da moeda - a pessoa que eventualmente as possa vir a empunhar.
Não adianta proibir as armas se a realidade que as favorece não mudar.
E no Kosovo?
Num lugar onde a difculdade em comprar uma Kalachnikov reside apenas na escolha da nacionalidade do fabricante, num lugar onde desarmar alguém é ofensa mais grave do que despi-lo em público; num lugar onde chacinas aconteceram há menos de uma década e existe uma família para proteger, será difícil convencer alguém - mesmo as criancinhas - de que brincar com armas fingidas é pedagogicamente incorrecto e prejudicial ao seu futuro.
Muito há a fazer mas uma coisa é certa: nem sempre quem usa pistolas e assalta bancos teve dinheiro suficiente para comprar pistolas de plástico, e tempo para brincar aos "cow-boys" durante a sua infância.
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