sábado, 15 de maio de 2010

O nosso Fado

Quando vou a Portugal vejo as pessoas tristes, briguentas, irritadiças, ensimesmadas, queixosas, trajando em cores escuras, de cara fechada, passivas e à espera do próximo milagre de Fátima que acabe de vez com a crise. Não as vejo cerrarem fileiras, unidas, imaginosas, desenrascadas, activas, gentis, corajosas, organizadas e positivas. Trata-se de um defeito visual da minha parte - já sei - em razão da falta de residência permanente em Portugal e da falta de compreensão de uma situação que não sinto no dia-a-dia. Aqui no Kosovo contacta-se diariamente com as mais variadas nacionalidades e é hábito concluir-se diferentemente: os americanos agem sem pensar muito, os europeus pensam sem agir muito. Como hoje diria o Galileu, "tuttavia o Dollar si mouve para cima e o Euro para baixo”. Ou como diria um brasileiro famoso, “em época de choro, quem vende lenços enriquece”. Mas admito, uma vez mais, que talvez seja defeito visual próprio. Prometo em breve uma visita à Graciete , a minha oftalmologista em Faro.

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