Foi na Grécia que percebi que a crise dificilmente chega aos restaurantes (ver post anterior). À falta de melhor anti-depressivo, nada como encher o bandulho: “podem sacar tudo o que temos mas quanto a este pitéu é que ninguém já o tira”. Aproveitando esta lógica e contrariando a habitual falta de imaginação para se escolher um restaurante, aliada à lei do menor esforço normalmente encavalitada na falta de pachorra para estacionamentos, confusões, centros comerciais, e outras que tais, a montanha decidiu ir a Maomé. Um verdadeiro engenheiro de crises decidiu criar um serviço de entrega de comida ao domicílio do tipo TelePizza mas alargado a uma selecção de restaurantes de comida decente. Foi só contratar uns putos com mota a precisarem de uns trocos, vestir-lhes uma t-shirt laranja, contratar um call-center com um gato pingado, fazer um acordo com os restaurantes e publicitar o serviço através de um web site e de folhetos inseridos nos menus dos restaurantes (mas folhetos decentes e atraentes, não ao estilo dos do Professor Bambo, cujas utilidades paralelas se adivinham em tempo de crise). Com o Mundial à porta e o jogo quase a começar, é ver os laranjinhas a distribuir farnéis por toda a cidade. Continuando a tendência para se levar tudo para o aconchego do lar (jacuzzis, cinema, etc.), porque não a comida? Por 2,5 Euros cada entrega, não é a crise que nos vai fazer levantar do sofá. Antes isso que pizzas e pipocas. Veja www.comidas.pt.
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