
No litoral norte da Grécia existe a famosa “península dos 3 dedos”, paraíso do veraneio dos sérvios e dos próprios gregos. Praias de areia fervente e água tépida convidam a um solarengo lagartejamento, ao empaturramento com souvlakis e consequente jiboiamento. Nos 3 dedos? Não, só em dois! Porquê? Porque, qual aldeia gaulesa, um dos “dedos” é reservado pelo Estado à religião ortodoxa. Nele só se entra com autorização especial (requerida previamente) e para fins de peregrinação aos 23 mosteiros ali existentes. Trata-se portanto de uma espécie de Vaticano monástico da religião ortodoxa com mais de 2000 anos de existência. É o Monte Athos, a chamada terra da Virgem Maria, também conhecida como "República Ortodoxa". E que tem isso demais? Não é situação singular que se feche determinada fatia geográfica de um Estado ao público comum. Isso acontece com a Base das Lajes nos Açores, embora com fins militares. A singularidade do Monte Athos está em que - qual clube do Bolinha - “mulher não entra”. Numa parte do território comunitário é portanto legal e aceite a descriminação com base no sexo. E na religião também, uma vez que apenas 10% de não ortodoxos são diariamente autorizados a entrar nesse território sagrado, incluidas naturalmente as praias maravilhosas que por ali se estendem. Já o problema se colocou na Europa comunitária mas uma tradição duplamente milenar falou mais alto. Se outros podem espetar farpas nos lombos dos bois sem fins religiosos, mais os Ortodoxos poderão impedir cidadãs comunitárias de lhes perturbarem a oração. A única excepção foi uma rainha inglesa que tanto insistiu em visitar os mosteiros que, pelo seu estatuto, lhe fizeram a vontade. Os monges carregaram-na numa liteira durante toda a visita. A rainha senti-se uma Deusa carregada em ombros. No entanto o motivo foi outro: na Terra da Virgem Maria só lá pode botar os pés a Virgem Maria. A Rainha nunca chegou a tocar (conspurcar?) solo sagrado porque só desceu da liteira já fora do Monte Athos.
Portanto, já sabe. A senhora quer entrar no Monte Athos? Declare-se ortodoxa e compre um bigode. Ou então alugue um barco e veja ao longe e por fora, uma vez que o Monte Athos (ainda) não tem zona económica exclusiva nem mar territorial. Mas não será de todo impossível deparar-se com monges a praticar mergulho. No fundo a proverem o próprio sustento diário com a pesca que Deus lhes permite.

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