
O treino e formação dos advogados da praça kosovar está presentemente a cargo de uma associação escandinava que vai fazendo o seu melhor para a melhoria da qualidade dos barristas em actividade. Muito há ainda por fazer e nem sempre tem havido a devida adaptação à cultura balcânica, o que dificulta a obtenção dos resultados pretendidos e vai dando o flanco a cómicas historietas forenses.
Nas suas doutas alegações, o defensor referia, efusivo: “Perante os factos aqui provados ainda posso compreender que a vítima se sinta lesada, traumatizada, indignada perante o que passou. Já aquele senhor, que nem sequer é da família da vítima, não se percebe porque está tão indignado e protesta tanto contra o meu cliente”. Eis senão quando é interrompido pelo Juiz que o instrui a tratar “aquele senhor” por “Senhor Procurador”, se não fosse pedir muito.
Claro está que pouca piada terá esta situação quando comparada com outras passadas em Portugal (como esta que passo a descrever a pedido de vários leitores portugueses não juristas aqui do Kosovo). Ocorreu durante um julgamento de um estupro (abuso sexual não violento de moça em idade núbil por aproveitamento da sua pouca experiência de vida) na comarca do Peso da Régua, há um bom par de anos atrás.
O Procurador interpela a testemunha: “O senhor quando chegou à porta do estábulo viu que a vítima copulava com o arguido, não é verdade?” Responde a testemunha: “Não, não! O c... que pulava era o dele! O dela estava sentado no meio do feno!”
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