“Vivo aqui, livre e solto, neste país verdejante. Sou sustentado sem grande dificuldade e frequento cafés, circulo em todos os veículos, por onde ando, por onde passeio e esvoaço, sem restrições. Ando pelas ruas, bares, ando pela boca de todos: homens e mulheres, até ministros. Crianças não, porque pedofilia não está no meu cardápio. Eu significo, não apenas a liberdade, mas também a emancipação, quer familiar, quer feminina. Vivo num país livre e sem descriminações pois que outros iguais a mim não têm tratamento previlegiado. Vivo entranhado em cabelos esvoaçantes e até no cérebro da grande maioria populacional. Sou omnipresente e tenho uma vida social intensa.
Ouvi dizer, mas nem quero acreditar, que noutros países que por aí há e que se chamam civilizados, há irmãos meus que vivem presos, acorrentados a certos lugares onde só podem circular se não houver nenhum bufo que os denuncie; onde o espaço para outros iguais a mim é ilimitado, mas que para os meus irmãos, pelo contrário, lhes é restrita a circulação, não podendo sequer andar de cacilheiro ao ar livre, não podendo frequentar restaurantes, não podendo sequer frequentar aviões ou aeroportos, onde lhes reservam uma salinha de 4 por 4, em pé, e sem respiradouros. Querem proibí-los até de frequentar recintos desportivos abertos! No entanto, não deixam de lhes atribuir elevada importância, pois também esses meus irmãos andam na boca de directores gerais, e até de ministros. Esses são os sortudos: como andam com os ministros, têm livre trânsito por todo lado, até em aviões comerciais! Os outros que andem à chuva e na rua, nos passeios, à porta das lojas, porque abrigo custa caro e é sustentado pelos impostos de quem também os usa. É o verdadeiro Gulag.
Por isso tenho que, aqui, publicamente, dar o devido valor a quem comigo vive neste país que é o Kosovo. Vivo em paz com o POVO Kosovar que pode até ser pouco esclarecido, mas que é livre de escolher.
Já no Gulag, o povo sabe tudo, mas escolhem por ele. Americanices, e ainda por cima importadas! Ou seja, a verdadeira liberdade Tabajara!
A doutrina já vai longa, não vou incomodar mais. Tem aqui o meu cartãozinho. Prazer! Se quiser falar de direitos humanos, ligue-me, e nem sequer tem que fumar-me. No Kosovo pode escolher”.
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