segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nje Ekspreso schkurte, ju lutem

Dificilmente alguém se deparará noutro lugar com mais estabelecimentos de cafés do que em qualquer cidadezinha do Kosovo. A particularidade consiste porém em servirem café a qualquer vendedor ou cliente das lojas limítrofes. Basta ligar e, em dois minutos chegará o garçon, com a encomenda em cima de um tabuleiro. Muito prático para quem não quer interromper o trabalho.

É assim comum ver-se um empregado de café a palmilhar o passeio com um tabuleiro encimado por um par de cafés, em passo acelerado, na direcção do local onde o cliente se encontra - às vezes a mais de 100 metros.

Em caso de chuva, the show must go on. Nesse caso, estranhamente não costumam tapar o tabuleiro, assim não evitando água suplementar no café, ou que este fique desagradavelmente frio. Em casos de extrema chuva já vi um deles segurar os cafés com uma mão, usando o tabuleiro para cobrir a cabeça. Enfim, um truque bastante comum mas certamente pouco conhecido pelos clientes. É uma questão de prioridades: primeiro a saúde (própria), depois o café (do cliente).

Também cada tribunal tem o seu próprio café que fornece os gabinetes limítrofes, ao invés de máquinas automáticas de café, chocolates e sandwiches geladas, como acontece em Portugal. O empregado leva e recolhe chávenas aos/dos gabinetes a um ritmo estonteante com a vantagem de nunca apanhar chuva. Ora aí está o que noutros lugares facilmente se apodaria de “autêntico previlégio da magistratura”. O previlégio de não se ter que interromper o trabalho e de, através de um pequeno cerimonial, se conseguir, muitas vezes, amaciar as partes para um ameno acordo judicial, como se descreve num post anterior.

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