Hoje pela manhã decorreu uma cerimónia de entrega de medalhas da Eulex, em Prishtina, e na qual fui um dos felizes contemplados.
Numa lógica estritamente militar, sabe-se que uma coisa é uma promoção, outra coisa é uma medalha. A promoção obedece a critérios de competência continuada em directa relação com as vagas abertas; a medalha visa o reconhecimento de um singular mérito, e o correspondente incentivo para uma competência continuada.
Por isso se dirá, em tese, que pode haver um cabo ou um sargento mais medalhado do que um coronel ou um general.
Numa lógica civil, há bastante tempo que a medalha é vista com escárnio, se desprovida de algum valor pecuniário. O que importa é a promoção porque apenas esta permitirá um aumento de salário e, também, já agora, carregar de trabalho o antigo colega que se fartava de armar-aos-cucos e com quem “não podia nem com molho de tomate”. E este colega que se fartava de armar-aos-cucos, em vez de ser incentivado a conseguir lugar idêntico por força de um trabalho acrescido e de qualidade, vai agora dedicar a sua atenção laboral a tentar puxar o tapete ao seu novo chefe, a fim de se livrar do trabalho extra com que este o carregou. É esta a lógica empresarial actual que, no fim resultará, nunca em medalhas, mas sim no despedimento de ambos, por “dificuldades empresariais inultrapassáveis devido aos escassos resultados obtidos”.
Já no campo militar, onde as medalhas ainda existem, não será por coincidência que Portugal é reconhecido internacionalmente como uma excelente mais-valia em todas as missões em que participa, quer no aspecto técnico, quer no aspecto humano. Campo militar onde existem medalhas e onde se premeia o valor pessoal, a honra, o trabalho, bem para além do rigor dos números (os quais acabam por aparecer).
Parece que há muito que aprender (ou reaprender) com a cultura militar e, ao contrário da piada, a unidade de medida da inteligência humana não parece que seja o TAR (… decitar, centitar e militar, para quem não conhece).
Sempre mais vale uma medalha do que, como costuma acontecer no Brasil, homenagearem-se os juízes atribuindo-se o seu nome a um dado tribunal, sempre a título póstumo, e depois de estendidos involuntariamente por uma rajada de AK47.
Da minha parte, ainda vou preferindo a bota Botilde.
Parabéns pelo prémio!
ResponderEliminarPor cá, com tanta «medalha de cortiça» como prémio, conseguimos flutuar, alegremente, no mar dos processos...
:-))
Um abraço.
Jorge M. L.