A Macedónia é um país especial. País de religião ortodoxa, praticamente do tamanho do Kosovo, fica imediatamente a sul, entalado entre ele e a Grécia. Ao contrário do conceito gastronómico, esta nova república é tudo menos uma salada. A principal preocupação do seu povo prende-se com a sua afirmação de autonomia cultural em relação a quem mais o tende a negar: perante a Grécia que lhe recusa a pretensão de verdadeira génese da cultura europeia ocidental (como que alegadamente a origem da cultura grega); perante a Bulgária, contestando-lhe linguisticamente a condição de uma espécie búlgaro apenas com mais 3 ou 4 caracteres cirílicos, inventados exclusivamente para marcar a diferença. As pretensões de autonomia linguística e cultural são tão exacerbadas pelos macedónios que o seu pretenciosismo acaba sendo grande motivo de piada e chacota nos balcãs, à maneira das piadas sobre argentinos no Brasil, por idêntico motivo.
Assim, a afirmação do país enquanto tal passa pelo tamanho das bandeiras nacionais exibidas, pela criação de dificuldades a quem entra e sai no país, e pelo desuso sistemático do seu nome oficial que lhes foi internacionalmente imposto e com o qual nunca concordaram (FYROM). Assim, quem quiser passar meia hora extra na fronteira, em verificações inúteis por vários funcionários de cara fechada, bastará perguntar à entrada da fronteira: “Então aqui é que é o FYROM?” .
As relações entre a Macedónia e os kosovares são mínimas e resumem-se ao recebimento de estudantes universitários (os quais não prentendem arriscar a estudar em Prishtina e, no futuro, sujeitarem-se às possíveis dúvidas quanto ao reconhecimento internacional dos seus estudos). Estende-se também, naturalmente, às famílias resultantes das actividades desses estudantes universitários kosovares com as estudantes macedónias, as quais vão conhecendo durante a vida académica.
Já a relação dos internacionais colocados no Kosovo com a Macedónia é substancialmente diferente. Skopje, a capital, é o centro regular de jantaradas e passeios de fim de semana, aproveitando-se a pouca distância e o maior desenvolvimento comercial e social daquela cidade.
Foto: No centro de Skopje, o "Ministerctvo za Pravda". Trata-se do Ministério DA JUSTIÇA. Na língua macedónica (como em todas as restantes eslavas) PRAVDA significa VERDADE, embora também signifique JUSTIÇA. Entende-se aqui porque razão são esses os lugares (seja na Justiça, seja no seu Ministério) onde mais se fala verdade. Assim é, presumo, na Macedónia.
Sem comentários:
Enviar um comentário