segunda-feira, 3 de maio de 2010

Memento Park, Budapeste




O muro de Berlim foi apenas um dos símbolos cuja queda acompanhou a do regime de partido único que o sustentava. Mas muitos mais se desmoronaram, noutras latitudes e longitudes, lugares em que a foice e o martelo se descruzaram, e não só. À martelada ou a talho de foice, lá se escavacaram estátuas, monumentos, memoriais, etc., em nome da liberdade artística, do resentimento, da vingança, da adrenalina, do progresso, etc.



Estátuas há que mergulharam de nariz e braço estendido (Saddam, Bagdad); outras implodidas ou explodidas entre estrondos e aplausos, (Cambodja); outras fugiram do pedestal (Carmona, Jardim do Campo Grande, Lisboa); outras foram entulhadas num qualquer canto esconso dos subúrbios (Moscovo); outras ainda, especialmente porque metálicas, acabaram em fundições de reciclagem clandestina (por razões de segurança, neste caso não vou especificar lugares).






Em Budapeste, aquando da queda da cortina de ferro, as estátuas àquela alusivas foram simplesmente “deslocalizadas” sumindo da vista dos cidadãos. Porém, quando as coisas arrefeceram e a história falou mais alto, decidiu-se criar um parque nos confins dos subúrbios da cidade e ali manter as estátuas antes sumidas, numa espécie de museu do comunismo. Estática e fria, toda a iconografia ali se pode encontrar, presa entre muros, numa autêntica visita ao passado: do Trabant ao soldado libertador, do povo trabalhador ao poster de propaganda com as figuras do politburo. Em Budapeste em vez de se enterrar a história preferiu-se desterrá-la. Vale a pena a visita ao Memento Park.





Quando se volta ao centro da cidade sente-se então um ar de vida nova, de uma modernidade nostálgica própria de Budapeste, entre shoppings e violinistas, para se descobrir afinal que o Strauss era daltónico, e que o Danúbio afinal é mais verde que azul.

Sem comentários:

Enviar um comentário