quarta-feira, 19 de maio de 2010

O umbigo é grande

Ligo a televisão. Assisto duas horas. Qual é a expressão mais ouvida? “O Sócrates isto...”? Errado. “A crise... ”? Frio.

Desisto. Qual é então?

Pois bem. A expressão mais ouvida é... “os portugueses...”.

Os portugueses são os mais mal pagos da Europa”, “Os portugueses vão escolher o novo ídolo de Portugal”, “Os portugueses vão votar quem vai sair da casa do Big Brother”, “Os portugueses escolheram a maravilha de Portugal e a personalidade do século XX”, “A maior parte dos portugueses não vai de férias”, “Os portugueses acreditam no Cristiano Ronaldo”, “Porque é que os portugueses vão ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro”, etc, etc.

E eu, ucraniano, trabalhador, assim fico devidamente informado como são os portugueses, enquanto me tento integrar - no meio de uma bucha e de um copo, que adquiri com o meu trabalho... em Portugal, eu sei!.

Trabalhei antes em Espanha e, ao contrário, na televisão não andavam sempre a falar “Os espanhois isto, os espanhois aquilo...”. Na Itália também nunca ouvia em cada 5 minutos “Os italianos assim, os italianos assado”.

Mas acho muito bem. Aqui em Portugal têm um sistema noticioso e publicitário eficaz que promove a auto-estima e o autoconhecimento do próprio povo. Só falta saber é com base em que estatísticas, e se “os portugueses” passaram a devida procuração para serem incluídos em tão rápidos e eficientes “inquéritos de esquina”. Não sei porque é que ainda tenho dúvidas! Parece que garantiram que “há um estudo” que diz que sim. De quem? De alguns estudiosos, também portugueses.

Como a crise está brava estou a pensar voltar para a Ucrânia.

Estou a pensar em montar lá uma empresa de estatísticas rápidas e uma empresa de “estudos na hora” (não, não inclui as novas oportunidades, não há lá disso!). Quem sabe com os lucros não abro uma televisão? Já aqui vi como se fazem notícias rápidas, e com elas vou ajudar “os ucranianos” a conhecerem-se melhor. Se algum dia a crise levar portugueses para a Ucrânia, e se quiserem saber notícias, que levem a parabólica da mãe às costas e o MEO do pai debaixo do braço.

Y a cheitchass, do pobachénia (eu sei que não se escreve assim, mas estou há tanto tempo fora da minha terra...)

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