Foi já algum tempo que se tornou famoso aquele sketch do Gato Fedorento tão subtil que ainda muitos se lembram dele (que pode ser visto no You Tube - como aliás tudo hoje em dia, excepto o fim da crise): uma senhora dona lady dirige-se a um gabiru e pergunta-lhe as horas, ao que este lhe responde “O que tu queres sei eu!”. A transeunte insiste na mesma pergunta manifestando-se incrédula perante tão abstronça observação, mas o estiloso não desarma, e num tom jocoso repete: “o que tu queres sei eu!”. Ao fim de tanta insistência, a dama desarma e revela, antes de abandonar o local, que o que ela queria era exactamente o que o marmanjão pensava mas como ele não andava nem desandava, mais valia ir embora. E ficaram ambos a chuchar no dedo.Aconteceu isso anos a fio na Assembleia da República. Quando um partido apresentava uma proposta, logo respondiam os restantes: “O que Vossa Exa quer, assim como o partido a que V. Exa pertence, sabem muito bem os Portugueses!”. Até que, de repente, um energúmeno deputado se lembrou de dizer: “Deixe lá o mensageiro em paz, vamos mas é analisar a mensagem!”. A coisa até resultou durante uns meses mas, eis senão quando vieram à baila o orçamento e a revisão constitucional e lá se voltou à mesma argumentação inteligente, produtiva e madura do antigamente. E lá vão os votantes voltar a chuchar no dedo, com os dentes de idiota de quem não é sério. Sim, porque quem é sério nunca mostra os maxilares superiores ao público (mas isto é matéria para outro post).
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