segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O qu' tu queres sei eu!

Foi já algum tempo que se tornou famoso aquele sketch do Gato Fedorento tão subtil que ainda muitos se lembram dele (que pode ser visto no You Tube - como aliás tudo hoje em dia, excepto o fim da crise): uma senhora dona lady dirige-se a um gabiru e pergunta-lhe as horas, ao que este lhe responde “O que tu queres sei eu!”. A transeunte insiste na mesma pergunta manifestando-se incrédula perante tão abstronça observação, mas o estiloso não desarma, e num tom jocoso repete: “o que tu queres sei eu!”. Ao fim de tanta insistência, a dama desarma e revela, antes de abandonar o local, que o que ela queria era exactamente o que o marmanjão pensava mas como ele não andava nem desandava, mais valia ir embora. E ficaram ambos a chuchar no dedo.
Aconteceu isso anos a fio na Assembleia da República. Quando um partido apresentava uma proposta, logo respondiam os restantes: “O que Vossa Exa quer, assim como o partido a que V. Exa pertence, sabem muito bem os Portugueses!”. Até que, de repente, um energúmeno deputado se lembrou de dizer: “Deixe lá o mensageiro em paz, vamos mas é analisar a mensagem!”. A coisa até resultou durante uns meses mas, eis senão quando vieram à baila o orçamento e a revisão constitucional e lá se voltou à mesma argumentação inteligente, produtiva e madura do antigamente. E lá vão os votantes voltar a chuchar no dedo, com os dentes de idiota de quem não é sério. Sim, porque quem é sério nunca mostra os maxilares superiores ao público (mas isto é matéria para outro post).

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