segunda-feira, 2 de maio de 2011

Morreu um assassino, assassinado.


O Osama morreu hoje. Segundo o Obama, foi uma vigilância de 8 meses seguida de uma operação dos Seals, um tiroteio e caso encerrado: lá apareceu o corpo e a celebração nacional nos Estados Unidos.
No sistema de justiça americano em que a confissão não precisa de ser feita em julgamento e onde a pena de morte não repugna, uma admissão do crime em direto pelos media parece retirar importância ao facto de se ter passado à fase executiva da “pena”, sem se passar pela fase do julgamento.
Disse o Obama que foi por ele dada ordem para uma operação com vista a trazer o Osama à justiça e que este foi morto no decurso de um tiroteio.
Vai ser difícil saber-se como foi realmente: se a ordem foi para trazer o Osama à justiça, ou se foi para levar a justiça ao Osama; se o tiroteio foi uni ou bi lateral; se após 8 meses de vigilância e com as diligências necessárias, a escolha dos Seals como executores da ordem terá sido a mais adequada a um estado de direito.
Também não importa aqui discutir se existe na América uma noção de justiça para a “promised land” e outra para o “wildside”.
O que importa realçar aqui é que, independentemente de como terá sido, a simples preocupação do Obama em incluir no seu discurso o “trazer o Osama à justiça” e que este morreu “após tiroteio” é de particular importância: a da distinção entre um Estado de Direito e a barbárie. 
Se foi ou não foi assim, os netos do Khadafi que o digam. Nem o Obama pode saber. Mas cumpriu a sua parte: fez um discurso correto e pedagógico. Parabéns portanto, e quem dera que outros políticos noutros cantos tivessem idêntica consciência civilizacional. 

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